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Matéria da Revista Isto É Dinheiro - Agosto/09
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A ciência da beleza
Empresas de cosméticos investem milhões no desenvolvimento de cremes que agem até sobre as células-tronco. Qual é o limite entre a medicina e a estética?

Priscilla Portugal

CAPTURE R60/80XP: lançamento da Dior age sobre as células-tronco aumentando o seu tempo de reprodução

VISTAS COMO PROMESSAS da medicina, as pesquisas com células-tronco podem resultar na cura de doenças graves, como diabetes, mal de Parkinson, distrofia muscular, esclerose múltipla e lesões na medula.

Mesmo assim, encontraram empecilhos no Brasil e uma batalha vinha sendo travada entre cientistas, religiosos e legisladores desde março de 2005, quando se começou a estudar esse tipo de célula.

Os pesquisadores defendiam o estudo com células embrionárias, já que, quanto mais jovens, maiores são as possibilidades de multiplicação celular.

Do outro lado, estavam os que acreditam que o embrião já é um ser humano e não deveria ser usado dessa forma. A batalha terminou no dia 29 de maio deste ano, com uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que manteve a Lei de Biossegurança, permitindo assim que fossem usados embriões inviáveis (ou seja, que não se desenvolveriam no útero da mãe) ou congelados há pelo menos três anos.

Enquanto o Brasil discutia os rumos das pesquisas com as

 células-tronco na medicina, os franceses analisavam a questão sob outra ótica: desenvolviam cremes de beleza que protegem as células-tronco.

E, após três anos de pesquisa, a marca francesa Christian Dior lançou a linha de cremes Capture R60/80 XP, que chega ao Brasil no fim do mês, após ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

PESQUISAS DE PONTA: a indústria brasileira investe US$ 100 milhões por ano em estudos

BIOCUTIS: a grife americana desenvolveu estudos e descobriu que a pele de caracóis é parecida com a humana
O que seria o lançamento de mais um creme de beleza é, na verdade, a prova mais concreta de que a linha que separa a medicina da indústria da beleza é cada vez mais tênue.

Isso porque os cremes prometem agir diretamente sobre as células-tronco da pele, aumentando seu tempo de reprodução, atenuando as linhas de expressão de dentro para fora.

Os produtos, que custarão de R$ 214 a R$ 310, são vistos com receio por especialistas do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP.

"Não basta atingir as células-tronco, é preciso ativá-las através das substâncias corretas", diz a pesquisadora Tatiana Jazedje.

No fim do ano passado, durante o lançamento da linha Capture R60/80 XP, na Europa, o pesquisador dos laboratórios da Dior, na França, Edouard Mauvais-Jarvis, defendeu os produtos. "Superestimular as células-tronco conduz a um esgotamento do organismo", explicou à revista francesa Elle.

"O que o nosso creme faz é impedir a oxidação dos pontos onde estão as células- tronco."

Tanta tecnologia na produção do creme é explicada pelo poder da indústria de beleza no mundo, que movimenta US$ 170 bilhões ao ano e, só no Brasil, investe US$ 100 milhões em pequisas. Para ganhar o cliente, a indústria sabe que é necessário avançar.

 
 
 

A marca brasileira Adcos, por exemplo, desenvolveu uma tecnologia para extrair e preservar o conteúdo das células da alga Himanthala Elongata, que possui elementos idênticos aos da pele humana e age em um processo de troca de líquidos para manter a derme hidratada.

Outro trunfo da Adcos é um creme que possui um princípio ativo semelhante ao veneno de uma serpente e produz efeito parecido com o do botox, pois estimula o crescimento e a renovação celular.

Já a grife americana Biocutis pesquisou caracóis da espécie Helix Aspersa Müller e descobriu que eles produzem um componente que protege a pele dos danos causados pelo sol, por micróbios e por ferimentos.

O mais curioso é que a pele dessa lesma possui basicamente a mesma estrutura encontrada na humana. Apesar de os profissionais da beleza contestarem, essas pesquisas se aproximam de estudos medicinais.

"Mas não se pode confundir estética com medicina", diz Denise Steiner, chefe do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia. "A função dos cremes não é mexer profundamente na estrutura da pele, mas sim preservar suas características."

O difícil é acreditar nisso diante dos novos produtos que chegam ao mercado.

 

 

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