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Matéria da Revista Saúde - Março/09
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Seu filho respira pela boca enquanto dorme?
Criança que respira pela boca...
...corre o risco de acabar com déficit de atenção e hiperatividade, dificuldade de aprendizado e até problemas de crescimento.

por Michelle veronese com Paula desgualdo
design Glenda capdeville

 

Sete da manhã — o pequeno, que já deveria estar de pé, mal consegue sair da cama. Está sonolento, cansado demais para ir à escola. Os pais insistem, a criança se esforça e, na sala de aula, aparecem as sequelas da noite mal-dormida: ela fica apática ou irritada, sem prestar atenção em nada. Se o seu filho anda passando por isso, olho atento ao narizinho dele. Os médicos estão cada vez mais convencidos de que esse órgão essencial para a nossa respiração, se não utilizado adequadamente, pode estar por trás de um inesperado efeito dominó. “Quando as crianças respiram pela boca, o cérebro recebe pouco oxigênio, o que prejudica a capacidade de atenção e o rendimento escolar”, afirma o otorrinolaringologista Manuel de Nóbrega, da Universidade Federal de São Paulo.

Essa relação é tão estreita que uma pesquisa inédita, realizada na Universidade de São Paulo, revela que a respiração bucal pode desencadear ou agravar o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) em crianças. A ortodontista Carolina Marins, autora do estudo, confirmou o elo após acompanhar meninos e meninas com o problema (veja a nota: parece até outra menina). “Aqueles que voltaram a respirar pelo nariz apresentaram uma melhora impressionante no desempenho escolar e no quadro de TDAH”, conta ela.

É bom que fique claro: nem toda criança que respira pela boca está fadada a ter déficit de atenção e hiperatividade. “Cada coisa é uma coisa, e apenas em alguns casos os dois problemas estão relacionados”, alerta a fonoaudióloga Janete Barbosa, de Porto Alegre, que há 20 anos cuida de crianças com a síndrome da respiração bucal (SRB). Como os dois distúrbios comprometem o aprendizado infantil, muita gente se confunde. Daí, ela sugere um time de especialistas para fazer o diagnóstico correto.

O psicólogo ou o psiquiatra podem confirmar se é mesmo um caso de TDAH. Já o otorrinolaringologista, o odontopediatra e o fonoaudiólogo irão investigar o que está impedindo o pequeno de respirar pelo nariz. “Às vezes, pode ser um simples mau hábito, de quando a criança chupava o dedo ou tomava mamadeira”, diz Janete.

As causas ainda podem ser orgânicas — desvio de septo e crescimento do tecido que reveste as cavidades nasais, conhecido como adenoide — ou funcionais, quando deflagradas por rinite, sinusite e alergias respiratórias. “Em todas essas situações, o ar não passa livremente pelas vias aéreas superiores e a criança compensa aspirando pela boca”, diz Manuel de Nóbrega.

Agora, imagine a consequência de respirar de modo incorreto, dia após dia. “A criança pode ter dificuldade de deglutição, mastigação errada, a arcada superior tende a se projetar para a frente e a inferior para trás”, explica Carolina. Não é de admirar que até a aparência dos pequenos muda com o tempo — os músculos da face ficam flácidos, o rosto alongado, o olhar caído e a boca entreaberta. Sem oxigênio suficiente, o crescimento também é afetado. “No final das contas, é imenso o prejuízo para a socialização e o desenvolvimento do pequeno”, observa a psiquiatra Kátia Mathias, do Rio de Janeiro.

Mas calma, porque é possível reverter tudo isso — com a ajuda de vários profissionais, como já explicamos. “Cada um em seu campo vai avaliar como corrigir o problema e os efeitos da SRB”, conta Carolina. A duração do tratamento depende do caso em questão, assim como a indicação de aparelhos ortodônticos, cirurgia e acompanhamento fonoaudiológico. Ah, é preciso lembrar que, depois disso tudo, a síndrome pode persistir mais um pouco. Aí, a culpa é do cérebro. “Ele leva algum tempo para se adaptar à mudança”, entrega Janete. Mas, com paciência, o menino ou a menina logo voltará a usar o nariz para a nobre função de respirar.

De olho na boca

É com a ajuda dos lábios — e não das narinas — que o respirador bucal absorve o ar que vai para os pulmões. Note como fica a criança com esse problema:

  • Mantém a boca aberta na maior parte do tempo
  • Dorme mal e ronca
  • Sente sonolência e irritação
  • Articula mal as palavras
  • É desatenta e tem baixo rendimento escolar

 

Sem remédios
Na pesquisa da USP, a maioria das crianças superou o TDAH ao passar a respirar melhor  
Para confirmar a relação entre a respiração bucal e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, a pesquisadora Carolina Marins reuniu 17 garotos e garotas. Todos eles tomavam medicamentos para o TDAH e apresentavam problemas de dentição e fala, causados pela respiração incorreta.

Metade dos voluntários foi submetida a tratamento ortodôntico e fonoaudiológico. “As demais crianças continuaram apenas com a medicação”, relata Carolina.

Depois de 18 meses, o primeiro grupo não só voltou a respirar pelo nariz como teve uma grande melhora na atenção e no rendimento escolar.

“Os resultados foram tão positivos que apenas duas crianças precisaram continuar com os remédios”, diz.

 
“Parece até outra menina”

Sabrina Strassacappa Rodrigues, a pequena paulistana da foto ao lado, tinha um paladar peculiar para uma criança de 4 anos: comia sashimi, mas não gostava de carne.

E não se tratava de uma questão de gosto. “Ela era uma respiradora bucal e, como a musculatura da mandíbula estava flácida, não conseguia mastigar nada duro”, conta o pai, Milton, que é analista de sistemas.

Sabrina roncava, dormia mal e vivia no médico por causa de infecções na garganta.

Depois de operar a adenoide e tirar as amígdalas, tudo mudou. Além de caprichar no prato, está mais animada e

sua postura melhorou.

“Parece até outra menina”, diz Milton.

Hoje com 6 anos, a garota está há mais de um ano livre de infecções e antibióticos. Breve, dará adeus ao aparelho dentário e às visitas à fonoaudióloga.

 

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fotos Eduardo svezia

 

 

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